Em meio à efervescente cena criativa londrina dos anos 1980, marcada por clubes anárquicos, estilistas visionários e um novo olhar sobre o estilo de rua, nascia o movimento Buffalo, coletivo que redefiniu os limites entre moda, arte e identidade.

Quarenta anos depois, o fotógrafo Jamie Morgan, um de seus fundadores, revisita esse legado no livro 1985, lançado pela editora IDEA.

A publicação celebra o auge do estúdio fundado por Morgan e pelo falecido stylist Ray Petri. Ela reúne negativos restaurados, folhas de contato e imagens inéditas de figuras que se tornariam ícones.

Em entrevista a Dazed, Jamie diz que o senso de ser um forasteiro preenche as relações deles com as pessoas.

“Uma vez que percebemos que nós poderíamos escolher qualquer pessoas que nós quiséssemos para o coletivo, o que estávamos fazendo começou a tomar forma”, explica Jamie.

O espírito rebelde de Buffalo

O nome Buffalo, inspirado na gíria caribenha para designar o “rude boy”, o rebelde, traduzia a essência do coletivo. Eles rejeitavam os padrões das revistas tradicionais. Elencavam modelos encontrados nas ruas, misturando referências de gênero, raça e classe social em imagens de força e vulnerabilidade.

“Colocamos homens em saias e mulheres com olhar de guerra”, lembra Morgan. “O importante era capturar verdade.”

As fotos de Buffalo tornaram-se símbolo de uma nova estética britânica. Um híbrido entre o punk, o reggae e o luxo desconstruído, que inspiraria gerações futuras de criadores como Martine Rose, Ibrahim Kamara e Campbell Addy.

Fotografia “Talisa and Nick” de Jamie Morgan, retrato do movimento Buffalo em 1985
Talisa and Nick”, retrato de Jamie Morgan que marca a força estética e a diversidade de rostos do coletivo Buffalo

Uma herança que atravessa gerações

A nova edição de 1985 reflete não apenas a parceria artística de Morgan e Petri, mas também a amizade e o senso de propósito que moldaram o coletivo.

“O legado de Buffalo é a diversidade e a autenticidade. Celebrávamos as pessoas porque eram incríveis, não por rótulos.”, afirma Morgan.

Desde o falecimento de Petri em 1989, o impacto do grupo segue ecoando em museus, revistas e passarelas. Do V&A Museum à National Portrait Gallery, o Buffalo segue como símbolo de resistência estética e inclusão cultural, um espírito que ainda pulsa na moda contemporânea.

Deixe uma resposta

Trending

Descubra mais sobre BANDO

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading