A cantora SZA vive uma das fases mais marcantes de sua trajetória artística e, ao mesmo tempo, uma das mais introspectivas. Em entrevista concedida à revista i-D, a artista falou sobre espiritualidade, família, política, criatividade e o que considera hoje sua principal batalha: preservar a humanidade dentro da música.

Nos últimos anos, a carreira de SZA atingiu um novo patamar. Seu álbum “SOS” permaneceu por 10 semanas no topo da Billboard 200, a principal parada mundial. Depois, vieram sua primeira turnê solo em arenas, a expansão do projeto com “LANA”, sua estreia no cinema ao lado de Keke Palmer em “One of Them Days”, além da apresentação no show do intervalo do Super Bowl LIX com Kendrick Lamar.

SZA e Kendrick Lamar se apresentam juntos no show do intervalo do Super Bowl LIX, um dos grandes momentos da música em 2026
SZA e Kendrick Lamar dividiram o palco no show do intervalo do Super Bowl LIX.

A parceria entre os dois também rendeu “Luther”, música que permaneceu por 13 semanas no topo da Billboard Hot 100, o single número 1 mais longevo da carreira de SZA.

Apesar da dimensão do sucesso, a artista revela que ainda processa tudo o que viveu.

“Eu sinto que ainda não sei o que aconteceu. Mas eu entrei em 2025 forte, e sinto que é onde a minha cabeça está”, comenta a artista.

A transformação pessoal de SZA

Durante a entrevista à i-D, SZA revelou que 2024 marcou o início de uma mudança profunda em sua vida pessoal. Uma viagem para Bali abriu portas para práticas de meditação, yoga e autoconhecimento, aprofundadas posteriormente em retiros espirituais na Isha Foundation, liderada por Sadhguru.

Segundo a cantora, esse processo trouxe uma nova percepção sobre si mesma.

“A viagem me fez perceber que eu realmente precisava ter o controle sobre mim mesma, e ser 100% eu mesma. Eu não consigo me esconder para sempre inseguranças estúpidas”, explica SZA.

Ela também falou sobre um retiro de silêncio realizado na Índia, logo após sua apresentação no Super Bowl, e sobre como essas experiências a ajudaram a lidar melhor com emoções, inseguranças e ansiedade.

SZA diz estar “em guerra” com a inteligência artificial

Um dos trechos mais fortes da entrevista acontece quando SZA aborda a expansão da inteligência artificial dentro da música. Para a artista, a tecnologia representa um risco direto à originalidade criativa e à experiência humana por trás da arte.

“Sinto que estou em guerra por causa da IA. E está acontecendo desproporcionalmente com a música negra”, afirma a artista.

SZA critica especialmente o uso de IA na reprodução de vozes, estilos e estéticas musicais, apontando preocupação com o impacto desproporcional sobre artistas negros.

Ela vai além ao definir qual é, hoje, sua maior motivação artística:

“A humanidade é o meu ‘porquê’. A preservação do que sobrou e a expressão extrema do que ela é”, finalizou a cantora.

O próximo capítulo

Mesmo mergulhada em reflexões profundas, SZA segue criando. A artista confirmou à i-D que já trabalha em seu terceiro álbum de estúdio, explorando gravações com banda ao vivo, improvisação vocal e novas texturas sonoras ao lado de colaboradores como Steve Lacy e do produtor Carter Lang.

O objetivo, segundo ela, é simples e, ao mesmo tempo, ambicioso: criar música profundamente humana.

Ao olhar para tudo que construiu, SZA encerra com uma percepção que sintetiza bem seu momento: “Eu sinto que tudo é possível”.

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