A fotógrafa Guen Fiore lança seu primeiro fotolivro, Echo, uma coletânea de retratos que acompanha meninas em plena transição para a adolescência. Produzido ao longo de sete anos, o projeto busca capturar a liminaridade desse período, entre a inocência da infância e as incertezas da vida adulta.
“Echo captura a essência das meninas em um momento específico: um reflexo das identidades e experiências que compartilhamos. O eco é o que permanece para nós sentirmos e refletirmos a partir de agora”, explica Fiore.

Inspirada por obras como As Virgens Suicidas, de Sofia Coppola, a artista italiana investiga os rituais de passagem e os impactos das expectativas sociais sobre a autoimagem feminina.
Nas imagens, a tensão entre desconforto e confiança aparece em gestos sutis: corpos em repouso, olhares incertos, marcas na pele. As jovens são retratadas em quartos e salas, espaços íntimos que condensam o tédio e a melancolia da juventude prestes a passar.
Grande parte das modelos foi encontrada no Instagram. “Gosto de observar como as meninas se expressam, como querem ser vistas. Essa mistura de vulnerabilidade e força é o que mais me inspira”, diz Fiore.
Fiore lembra o impacto que a escola teve na sua percepção de identidade. A fotógrafa explica que, por crescer na Itália, padrões de beleza eram altamente notáveis, restritos e bem definidos.

“Não acho que eu entendia completamente o quanto isso afetava a minha autoestima como uma menina adolescente. Se você não se encaixa no que você vê, passa a acreditar que você não é boa o suficiente em muitas coisas”, explica a fotógrafa.
Para Fiore, Echo também é um espelho de sua própria maturação como artista e mulher. “Esses retratos são ecos do que compartilhamos. Eles me lembram como fotografá-las me ajudou a entender a mim mesma”, reflete. “Hoje, vejo o projeto como uma celebração do crescimento, da continuidade e da forma como o passado deixa sua marca no presente.”





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