O roteiro inacabado de The Freak, último projeto de Charlie Chaplin, será publicado pela primeira vez em inglês. A obra foi reconstruída a partir de rascunhos, storyboards e desenhos deixados pelo cineasta britânico antes de sua morte, em 1977, aos 88 anos.

Retrato em preto e branco de Charlie Chaplin já idoso, fotografado por Jane Bown
Charlie Chaplin em 1969, em Londres, durante o período em que desenvolvia The Freak. Fotografia: Jane Bown.

A história de The Freak

Segundo o The Guardian, a história gira em torno de Sarapha, uma figura celestial com asas capaz de curar doenças e trazer paz ao mundo. O diretor planejava fazer uma participação especial como um bêbado surpreso ao vê-la sobrevoar o Parlamento de Londres.

Os documentos preservados de The Freak são mais extensos do que os de qualquer outro filme do artista. Eles incluem desde listas de cenas até atas de reuniões técnicas, projeções financeiras e testes de efeitos especiais. Chaplin chegou a desenvolver asas articuladas para a personagem principal e discutia o uso de truques de filmagem em estúdios britânicos como Shepperton.

David Robinson, biógrafo oficial do cineasta e autor do livro que reúne o material, afirmou: “É uma pena que o filme não tenha sido concluído, porque poderia ter sido uma obra magnífica.”

Uma herança familiar

Chaplin havia escalado sua filha adolescente, Victoria Chaplin, para o papel de Sarapha. Ela recorda que durante semanas o cineasta estudou o movimento de voo de pássaros.

Esboço em preto e branco da personagem Sarapha, uma criatura com asas e corpo humano, criado para o filme inacabado The Freak
Esboço da personagem Sarapha, descrita por Chaplin como “um pássaro com corpo humano”.

A publicação, intitulada The Freak: The Story of an Unfinished Film, é assinada pela Sticking Place Books, com curadoria de Cecilia Cenciarelli (Cineteca di Bologna) e colaboração da família Chaplin.

O artista Gerald Larn, responsável por cerca de 150 ilustrações para o projeto, relembra: “Charlie era muito detalhista. Sabia exatamente o que queria. Era um desafio técnico enorme, mas possível.”

Para o gestor do espólio Chaplin, Arnold Lozano, a publicação representa a primeira apresentação abrangente do último projeto inacabado do cineasta.

“Com quase 3.000 páginas, fotos e desenhos, junto com suas próprias leituras e composições de piano, The Freak é talvez a última herança de Chaplin. Único dentro da sua obra, mas inconfundivelmente chaplinesco. Essa publicação oferece um raro vislumbre em um dos projetos mais memoráveis dos seus 63 anos de criatividade no cinema”, afirma Lozano.

É a primeira vez que o texto sai em inglês, após uma edição limitada em italiano lançada em 2020.

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